Caminho
I.
Tenho sonhos cruéis; n’alma doente
Sinto um vago receio prematuro.
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...
Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...
Porque a dor, esta falta d’harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d’agora,
Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.
...
Path
I.
With tortured, twisted dreams and a sick soul
I've vague, premature apprehension.
On future's threshold, I fear
Drunk on the longings of the here and now...
This yearned hurt, sought in vain
The breast so rudely deflects,
While withering to the West,
Shrouded in the dark veil's bosom!...
This pain, this consonance's lack,
Causes light to shine so disheveled
Freakishly illuminating souls in the heavens,
Without it, my heart shrinks:
A sun sighing away day break;
Weeping only at dawn.
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